O laser vaginal tem ganhado espaço como opção de tratamento para sintomas íntimos que afetam diretamente a qualidade de vida das mulheres — como ressecamento, desconforto, ardência e frouxidão vaginal. Apesar de ser um assunto ainda cercado de dúvidas, o procedimento conta com evidência científica sólida para indicações específicas e pode ser transformador para mulheres que não podem ou não desejam usar terapia hormonal.
Se você já ouviu falar no laser vaginal e quer entender de verdade para que serve, como funciona e se é indicado para o seu caso, este artigo responde às principais perguntas.
O que é o laser vaginal?
O laser vaginal é um procedimento ginecológico não cirúrgico que utiliza energia de laser para tratar alterações no tecido vaginal e vulvar. Ele é indicado para condições relacionadas ao envelhecimento, à deficiência de estrogênio (menopausa, climatério), a partos anteriores e a doenças inflamatórias da vulva.
O tratamento é realizado no consultório, sem cortes e sem necessidade de anestesia geral. O procedimento costuma durar entre 15 e 30 minutos por sessão.
Como o laser vaginal funciona?
O laser age por meio de um aquecimento controlado da mucosa vaginal, que desencadeia uma série de respostas biológicas no tecido:
- Renovação celular — as células antigas são substituídas por células novas e funcionais
- Neovascularização — formação de novos vasos sanguíneos, melhorando a nutrição e a oxigenação do tecido
- Produção de colágeno — estímulo à síntese de novas fibras de colágeno, que dão firmeza, elasticidade e espessura à parede vaginal
O resultado é uma transformação do tecido vaginal: de um padrão atrófico — comum na menopausa, com mucosa fina, seca e frágil — para um tecido mais semelhante ao do período pré-menopausa: mais espesso, hidratado e saudável.
Tipos de laser vaginal: CO₂ e Erbium
Os dois principais tipos utilizados na ginecologia são o laser de CO₂ e o laser de Erbium. Eles têm características diferentes e são escolhidos conforme a indicação clínica de cada paciente.
Laser de CO₂
- Atua em maior profundidade no tecido
- Indicado para atrofia vaginal intensa, síndrome geniturinária da menopausa e frouxidão vaginal
- Promove remodelação mais intensa do colágeno
Laser de Erbium
- Ação mais superficial, com menos calor residual
- Preferido em ressecamento vaginal leve a moderado, líquen escleroso e situações que exigem menor tempo de recuperação
- Bem tolerado e com retorno rápido às atividades
A escolha entre CO₂ e Erbium é feita pela ginecologista após avaliação individualizada, considerando os sintomas, o grau de atrofia e o histórico da paciente.
Quais são as principais indicações do laser vaginal?
O laser vaginal tem indicações bem definidas pela medicina baseada em evidências. As mais comuns são:
Ressecamento e atrofia vaginal
O ressecamento vaginal é um dos sintomas mais frequentes na menopausa e no climatério, causado pela queda do estrogênio. O laser estimula a produção de colágeno e a neovascularização, devolvendo hidratação e espessura à mucosa vaginal.
Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM)
A SGM é um conjunto de sintomas que inclui ressecamento, ardência, coceira, dor na relação sexual e sintomas urinários como urgência e infecções recorrentes. O laser é especialmente útil para mulheres que não podem usar hormônios — por histórico de câncer hormônio-dependente, por exemplo — ou que preferem evitar a terapia hormonal.
Frouxidão vaginal
A frouxidão vaginal pode ocorrer após partos normais, com o envelhecimento ou por alterações hormonais. O laser de CO₂ estimula a contração e a remodelação das fibras de colágeno nas paredes vaginais, contribuindo para a melhora do tônus tecidual em casos leves a moderados. É uma alternativa não cirúrgica com bons resultados quando bem indicada.
Coceira e ardência vaginal
Sintomas como coceira, ardência e irritação na região íntima podem estar associados à atrofia vaginal, à síndrome geniturinária ou ao líquen escleroso. O laser melhora a qualidade do tecido e reduz a inflamação local, aliviando esses sintomas.
Incontinência urinária leve
Em casos de incontinência urinária leve — especialmente a de esforço, com perda de urina ao tossir, rir ou se exercitar — o laser pode ser utilizado como tratamento complementar, melhorando o suporte dos tecidos vaginais e periuretrais.
Líquen escleroso
O líquen escleroso é uma doença inflamatória crônica da vulva que causa coceira intensa, dor, fissuras e alterações na pele vulvar. O laser pode ser indicado como tratamento adjuvante, ajudando a melhorar a qualidade do tecido e a reduzir sintomas persistentes, sempre associado ao acompanhamento médico regular.
Uma boa opção para quem não pode ou não quer usar hormônios
Uma das principais vantagens do laser vaginal é ser uma alternativa eficaz para mulheres que não podem ou não desejam usar terapia hormonal. Isso inclui pacientes com histórico de câncer de mama, endometriose hormônio-dependente ou outras contraindicações ao uso de estrogênio, além de mulheres que simplesmente preferem uma abordagem não hormonal para tratar os sintomas da menopausa.
Como é o procedimento?
O laser vaginal é realizado no consultório, sem necessidade de internação. O procedimento dura entre 15 e 30 minutos e não exige anestesia — a sensação é de leve aquecimento, geralmente bem tolerada.
Após a sessão, a paciente pode retomar suas atividades habituais em poucas horas. É recomendado evitar relações sexuais por cerca de 5 a 7 dias após cada sessão, conforme orientação médica.
O número de sessões varia conforme a indicação e a resposta individual. Em geral, são realizadas 3 a 5 sessões, com intervalo de 4 a 6 semanas entre elas. Sessões de manutenção anuais podem ser recomendadas para preservar os resultados.
O laser vaginal é indicado para você?
Apesar dos bons resultados, o laser vaginal não é indicado para todas as pacientes. Existem contraindicações — como infecções vaginais ativas, lesões suspeitas não investigadas e algumas condições específicas — que precisam ser avaliadas antes do tratamento.
A avaliação individualizada com uma ginecologista especialista é fundamental para definir se o laser é a melhor abordagem para o seu caso, qual tipo de laser utilizar e quantas sessões serão necessárias.
Quando procurar avaliação?
Se você apresenta um ou mais dos sintomas abaixo, vale a pena agendar uma consulta para avaliar se o laser vaginal pode ser indicado para você:
- Ressecamento ou ardência vaginal persistente
- Dor ou desconforto durante a relação sexual
- Coceira ou irritação na região íntima sem causa identificada
- Sensação de frouxidão vaginal após partos ou com o envelhecimento
- Perda de urina ao tossir, espirrar ou se exercitar
- Sintomas da menopausa que afetam a qualidade de vida íntima
A Dra. Laís Ferraz Scaranello atende em Marília – SP, na Clínica Dall'Antonia, e em São Paulo – SP, com avaliação individualizada e abordagem acolhedora. Se você tem dúvidas sobre o laser vaginal ou quer entender se esse tratamento é adequado para o seu caso, agende uma consulta.




