Ginecologia

    Histeroscopia: O Que É, Como Funciona e Quando É Indicada

    22 de fevereiro, 20266 min
    Histeroscopia: O Que É, Como Funciona e Quando É Indicada

    A histeroscopia é um procedimento que permite "olhar por dentro" do útero — sem cortes e sem pontos. Se você já ouviu falar nesse exame ou recebeu a indicação da sua ginecologista, é natural ter dúvidas: "será que preciso fazer?", "vai doer?", "preciso de internação?". Neste artigo, vamos esclarecer tudo sobre a histeroscopia de forma clara e objetiva.

    O que é a histeroscopia?

    A histeroscopia é um procedimento no qual uma câmera muito fina (menor que 0,5 cm de diâmetro) é introduzida pela via vaginal até o interior do útero. Funciona de forma semelhante a uma endoscopia digestiva, porém direcionada à cavidade uterina. Não são necessários cortes na pele, suturas ou cicatrizes — o acesso é feito pelo canal natural do colo do útero.

    A imagem captada pela câmera é transmitida em tempo real para um monitor, permitindo que a ginecologista avalie detalhadamente toda a cavidade uterina.

    Histeroscopia diagnóstica x cirúrgica

    Existem dois tipos de histeroscopia, e entender a diferença entre elas é importante:

    Histeroscopia diagnóstica

    A histeroscopia diagnóstica é um procedimento ambulatorial, realizado no consultório. Utiliza uma óptica ainda mais fina e não necessita de anestesia geral. O desconforto durante o exame é semelhante a uma cólica menstrual leve a moderada e dura poucos minutos.

    Ela permite avaliar o interior do útero em tempo real, identificando alterações como pólipos, miomas submucosos, sinéquias (aderências) e malformações.

    Histeroscopia cirúrgica

    A histeroscopia cirúrgica é realizada com anestesia (sedação ou raquianestesia) e permite tratar no mesmo momento o que for encontrado. Isso significa que pólipos, miomas submucosos, septos uterinos e sinéquias podem ser removidos durante o procedimento, sem necessidade de uma segunda intervenção.

    Quando a histeroscopia é indicada?

    As principais indicações para a histeroscopia incluem:

    • Sangramento uterino anormal — menstruação muito intensa, prolongada ou fora do período
    • Investigação de pólipos ou miomas submucosos identificados em exames de imagem
    • Infertilidade ou abortamentos de repetição — para avaliar a cavidade uterina
    • Sinéquias (aderências intrauterinas) — que podem comprometer a fertilidade
    • Malformações uterinas — como o septo uterino
    • Retirada de DIU com fio não visível — quando o dispositivo não pode ser removido de forma convencional
    • Espessamento endometrial identificado em ultrassom de rotina

    Como é feito o procedimento?

    O procedimento segue um passo a passo simples:

    1. A paciente é posicionada em posição ginecológica
    2. A câmera (histeroscópio) é introduzida pela vagina e pelo canal do colo do útero
    3. A cavidade uterina é distendida com soro fisiológico, permitindo uma visualização ampla e clara
    4. As imagens são transmitidas para um monitor em tempo real
    5. Na histeroscopia cirúrgica, instrumentos específicos são utilizados para tratar as alterações encontradas

    A duração média é de 15 a 30 minutos para a histeroscopia cirúrgica e de 5 a 10 minutos para a diagnóstica.

    Preparação e cuidados

    Antes do procedimento

    • Pode ser solicitado um ultrassom transvaginal prévio para planejamento
    • Para a histeroscopia cirúrgica, é necessário jejum de 8 horas
    • A diagnóstica não exige preparo especial

    Após o procedimento

    • Na histeroscopia diagnóstica, o retorno às atividades habituais ocorre em 24 horas
    • Na cirúrgica, recomenda-se repouso relativo por 2 a 3 dias
    • É normal apresentar pequeno sangramento nos primeiros dias
    • Relações sexuais devem ser evitadas conforme orientação médica (geralmente 7 a 14 dias)

    Vantagens da histeroscopia

    A histeroscopia oferece diversas vantagens em relação a procedimentos mais invasivos:

    • Sem cicatrizes — acesso pela via vaginal, sem cortes
    • Alta no mesmo dia — sem necessidade de internação prolongada
    • Diagnóstico e tratamento simultâneos — na histeroscopia cirúrgica, é possível resolver o problema no mesmo procedimento
    • Recuperação rápida — retorno às atividades em poucos dias
    • Menor risco de complicações — por ser minimamente invasiva
    • Visão direta da cavidade uterina — maior precisão diagnóstica

    Quando procurar avaliação?

    Alguns sinais indicam que é hora de buscar avaliação com uma ginecologista especialista:

    • Sangramento menstrual fora do período ou entre as menstruações
    • Fluxo menstrual muito intenso ou com duração prolongada
    • Dificuldade para engravidar ou história de abortamentos
    • Alterações em exames de rotina — como espessamento endometrial no ultrassom

    A histeroscopia é um procedimento seguro e bem estabelecido na ginecologia. Uma avaliação individualizada com sua ginecologista é fundamental para definir se a histeroscopia é indicada para o seu caso e qual a melhor abordagem — diagnóstica ou cirúrgica.

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